APOIO/PATROCÍNIOS

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terça-feira, 3 de julho de 2007

Hélder Milheiras em Roth

Roth foi palco no passado dia 24 de Junho de mais uma prova Ironman, a famosa e estonteante "Quelle Challenge Roth". Hélder Milheiras (Migalhas para os amigos) foi um dos portugueses presentes, ele presenteia-nos com um relato completo da sua vivência em terras germânicas. Parabéns a ti e a todos!

Relato

"A viagem de ida

24h00 de 3 ªfeira e a vontade de arrumar a bike e a tralha era nenuma... só que o voo era às 9h30 do dia seguinte... entre umas conversas no msn e umas idas à sala, às 3h lá tinha bike (quase toda) empacotada dentro da caixa e o saco à porta ...
07h00 e siga p aeroporto, c uma passagem pelo Suzana Place para apanhar a bike do homem. Tudo a correr bem e chegada ao aeroporto no timing esperado... (por acaso a malta chegou toda ao mesmo tempo – sedi, hugo, eu e a suzana trupe)... so far so good!
Balcão do check-in, cada um no seu, que é para a malta p/ próxima pensar no peso antes de encher a mala ... 20Kgs max .
A simpática sra até ia dar um lugar na janela na frente, quando:
“desculpe, mas o seu BI está caducado.... desde ABRIL!!!!!!!!!!!!”
Ai!!!! até mos caíram,,, logo eu que por pura preguiça tinha deixado o passaporte em casa a pensar q na europa BI e carta de condução eram suficientes... uuuuurso!!!!!!
Siga ligar para o pai Migalhas que numa correrria maluca lá safou a coisa a tempo... por 5 minutos....
Claro que o excesso de peso na bagagem estava lá e não fosse o Sedi e o seu cartão maravilha de qq coisa frequente, mais a boa vontade da menina, e aqui o Migalhas começava a arrotar euros mais cedo ... mas foi uma questão de tempo apenas...
O Voo para Munique foi uma espécie de teste aos nervos da malta.... poços de ar uns a seguir aos outros, daqueles que até as hospedeiras olhavam umas p’ás outras,,,, enfim,,,, a coisa chegou p enervar....
Munique – Roth (Hippolstein) foi uma viagem calma, barriga cehia de Burger Kings, a bordo de uma espectacular e espaçosa carrinha de 9 lugares e ao fim de pouco mais de 1h30 estávamos a chegar.
O Hotel (gasthause) estava confirmado e à nossa espera – uma coisa pequena e familiar mas c ambiente porreiro, sala c snooker... e o essencial – a 2kms da swim star, 8 de roth e a pouco mais de 1 de uma excelente loja de triatlo (ok... tinha 2 BTT contra 9 de triatlo e 2 de estrada)...

O Crenque
Tralhas no quarto e antes da corrida de 30’ para descomprimir das viagens, era tempo de desfazer as malas.... Bike inteira,,, nada partido... ok, só que... faltava qq coisa ... não, não era nenhuma chave.... era algo um pouco mais importante... um crenque... o esquerdo... tava tudo fdd!!!!
Bem, uma chamadas p/ Lx e ninguém sabia do crenque,,,, n estava na sala, na varanda, em lado nenhum.... epá.... mas eu lembrava-me de o embrulhar.... q raio... será que m abriram a mala na viagem e a coisa caíu? n acredito...
bem, siga,,, nada a fazer... há que ligar para a Luso Bike e chatear o “excluído” e o “mártir”, p/ ver se m conseguiam enviar um qq lá da loja, por DHL, custasse o q custasse.
Entretanto, o famoso crenque lá apareceu, caído algures na varanda, embrulhado no meio de uns quantos papéis, pois claro. Assim sendo, e mau por mau, sempre me podiam enviar o meu....
Os dias antes da prova
A malta estava descontraída, 5ªf de manhã era dia de nadar uns 45’ no Rothsee, um local bem agradável onde se nada espectacularmente.
Para quem n sabe o Rothsee é um lago gigante a 1km do canal onde é a prova, e o único local onde se pode nadar em água aberta até à 6ªf antes da prova, pois o canal é navegável e as embarcaçoes são assim p’ó grandinho...
Entretanto enquanto o Hugo e o Suzana iam dar um giro de bike, fruto de terem “a sorte” de terem 2 crenques, eu e a pulga fomos correr c uns minutos em ritmo mais forte para aquecer a máquina... Tivémos a companhia da Mariana e da Andréia, 2 amigas do Sedi e do ST, e que foi um prazer conhecer. Beijinhos p elas.
À tarde deu para descansar e dar um salto de carro à feira e local da meta, mas a feira ainda n tinha começado.
Entretanto visitámos a tal loja de bikes, onde havia de tudo e onde gastar dinheiro não era complicado (ok, investir $).
Porreiro, porque a visita à loja deu para encontrar os outros tugas e que por acabou por ser a única vez que fálamos c eles em toda a estadia – foi pena L L L . Abraço malta!
6ª feira era dia de descanso, mas uma vez que era possível ir nadar ao canal, fomos nadar bem cedinho (todos menos o preguiçoso, para nadar, Suzana que deixou o fato no carro e n quis andar 400m para o ir buscar) e de familiarizar a malta c o local da T1 e tudo o resto. Um treininho fácil c umas séries curtas pelo meio.
Entretanto, e porque o sedi tinha visto um pedaleiro triplo barato na feira, fomos lá e, por precaução e porque n queria estar 5 dias sem pedalar, trouxe o pedaleiro, para utilizar o crenque esquerdo.,... o crenque mais caro da história – 100€!!!!
Bem, mas lá fiz os 45’, enquanto a malta foi vadiar para Nurenberga. Claro que 20’ depois de acabar o treino, chegou a encomenda da DHL – Fixe.... grrrrrrrrrrrr
Agora tinha 2 crenques e os 45’ mais caros da história do treino para um Ironman. Mas como esta cabeça n pára, lembrei-me de ir à feira e trocar o pedaleiro por uma malta de viagem em promoção.... felizmente o bacano aceitou e acabou por ser um excelente negócio.... e claro... mais uma peça no tetris final da viagem de volta para Munique.
Faltou apenas dizer que num misto de doidice e de fé calórica, o carboloading aqui do Migalhas consitiu na famosa redução do volume de treino e nuns maravilhosos 2 pratos de massa a cada refeição (umas vezes c pizza) regados por cola light e litros de água ao longo do dia.... cada maluco com a sua pancada e não se contrariam os malucos...
Ah, falta falar do maravilhoso tempo nos dias que antecederam a prova... chuva e mais chuva.... vento e mais vento.... antevia-se um dia de manguitos e de camisola de ciclismo L

O dia do Check-in
Após a curta natação matinal no canal, era tempo de dar uma volta de bike 30’ c uns sprints, no percurso, nos 1ºs kms da prova seguidos de uns míseros 10mins c rectas.
Mas o dia era de check-in e, à tarde, lá fomos nós para a a p*ta da bixa onde 20mins de espera nos aguardavam para o check in. Um momento especial onde nos cruzamos com todos os cromosm da bola, desde os Maccas, aos hellrigels, aos llanos... aos ribeiros ou aos suzanas,,, tudo muito fixe....
Bem, uma nota... pela 1ª vez comecei a notar um nervosismo crescente no Hugo.... havia sobretudo mais conversas de triatlo... por entre umas músicas no MP3. O habitual na malta nova em forma!
Check-in feito.... bike no rack , saco amarelo na dita – sacos no corredor da tenda e era tempo de gozar um pouco o ambiente da prova e de regressar a casa e à feira, para continuar o dia de descanso... e claro... rezar para que o vento acalmasse.... o que não acontecia, antes pelo contrário.

Quelle Challenge Roth – a mais espectacular prova de ironman do mundo!
04h15 – despetar do quarto 2 para tomar o pequeno almoço
04h30 – finalmente um dia lindo.... sem vento... c bom tempo... finalmente !!!!!
05h00 – tempo de seguir para a partida, que a partida dos pros era às 6h20 e nós n queriamos perder pitada, alem de que, a Mariana e a Andréia iam sair nessa wave.
06h15 – aquele momento magnífico, que quem esteve em roth n esquece.... o hino da prova e aquelas margens cheias de gente... aquela ponte a transbordar de apaixonados por triatlo – algo que só quem lá esteve sabe o que é. Aquele momento leva-me sempre às lágrimas,.,,, é fabuloso – acho q só superado pela 1ª vez que cheguei ao solarber o ano passado ou no futuro quando estiver em Kona, dentro de água, a ouvir o hino dos states.
06h20 - a partida dos pros, de todas as mulheres e da malta que nasceu antes da 2ª grande guerra
06h30 - Chega a hora da última visita ao local da bike, reconfirmar tudo, visitar as casinhas verdes e vestir o aquaman, colocar sacos de roupa nas carrinhas, e trocar as últimas palavras com o Hugo (que por esta altura já n ouvia ninguem e devia estar a ouvir o MP3 pela 10x naquele dia).
Natação 06h57 – entrada na água para a linha de partida – sim, ali não se aquece!!!! Mas as primeiras sensações na água foram excelentes,... ao contrário dos dias antes.
07h00 – Tiro de partida da 2ª wave de AG (1ª foi às 6h55 c Camp Alemão e Camp Mundo Bombeiros)
Para quem n sabe como é a natação, é uma espécie de Zero gigante e bem alongado em que a partida é a 1/3 do zero e a chegada ligeiramente mais à esquerda.
Aqueles 1ºs 200m são o costume – trolhada e mais trolhada onde tentar aguentar e estabilizar a braçada é o essencial.
A ida até ao 1º retorno, após a 1ª ponte, foi feita a rimto tranquilo e não consegui agarrar pés nenhuns de jeito, pois a maior parte da malta escolheu o lado direito do canal e eu ia na esquerda com meia dúzia de malucos.... mas ia confortável. Viragem nas bóia c 23’ e tal.
O regresso ao local de partida foi mais forte e já consegui agarrar uns pés mais rápidos,,,, obrigado malta... passagem na partida c 47mins.
Seguiu-se a ida até às últimas bóias após a famosa ponte repleta de gente e sempre a acelerar o ritmo....
Na última bóia ía com 57’ e senti que era possível baixar a 1h06’15 do ano transacto, lancei-me num sprint doido até à meta – e com grande esforço saquei 1h04’31, menos 1’44. Excelente!
A T1 correu muito bem e também aqui consegui retirar 1’ face a 2006, mas ainda assim gastei 3’48, quase mais 2mins q os mais rápidos – a rever!


A BIKE
O primeiros 5kms de bike são ligeiramente a descer pelo que deu para apertar sapatos, verificar as garrafas e os gels, para nada cair após a transição, e tempo de deixar a pulsação ir ao lugar após a agitação da T1 e o final maluco da natação.
1ª passagem pela famosa curva de eckersmühle e seguiram-se cerca de 15kms de sobe e desce c umas subidas de 2-3 kms não muito inclinadas mas onde a cabeça mandava rolar calmo e deixar os malucos seguirem ao ritmo que lhes aptecesse - 19kms em pouco mais de 36mins mins a pouco mais de 31 de média – n tava mal!
Next stage - 18kms em plano - onde era essencial começar a comer e aproveitar a boa posição aerodinâmica e o set up de rodas para começar a acertar um rimto ligeiramente mais forte.
- 19kms a ronda os qs 40 de média.... excelente... vinha aí agora a 1ª grande subida!
A subida em greding é manhosa – começa c qs 1 kms bem inclinado onde subir é a única coisa q interessa sem se entrar em loucuras seguido de mais 5kms mais moderados mas onde as médias são muito muito baixas.
Felizmente que o que sobe , depois desce e seguiram-se 5 kms a voar autenticamente c uma descida fabulosa aos sssss onde quem desce bem ganha bastante,,,, bastante mesmo....
Seguiram-se mais 30 kms ondulados com uma ou outra rampa mais curta onde basicamente tentei n abusar nas subidas, e aproveitei ao máximo a parte plana e descidas para meter uns minutos mais fortes bem enrolado nas barras.
Um pequeno senão, as powerbar estavam a ser areia a mais para o estômago e intestinos e o turbo estava a começar a ter problemas... nada q uns longos 30’ minutos só a bebida energética n dessem para corrigir,,,,
Na 1ª volta realce apenas para o famoso solarberg (1ª passagem por Hippolstein na 1ª volta) onde este ano a emoção já n foi a mesma do ano passado, mas onde ter aquelas dezenas de milhares a gritar e a fechar a estrada à largura de 1 bike diz tudo.... é simplesmente lindo e é isso q fez Roth chegar onde chegou no mundo do triatlo.
1ª volta praticamente concluída, após nova passagem por Hippolstein e pelo canal, era tempo de sacar o special needs bag que o sedi tinha para entregar algures aos 90kms. Não tanto pelas barras q isso eu já tinha, mas mais pelo bidon de SIS que aquela coisa da PRO 4 é uma treta. Não correu exactamente como era esperado, pois por obra do tal Murphy, o Sedi teve de entregar 2 specialneeds bags em menos de 2mins.... e azar... eu fui o 2º a passar – acontece, mas nada de grave – umas espécie de Stop&GO.
Balanço da 1ª volta, a rondar os 35kms/h – muito bom!
A 2ª volta viria a ser bem diferente – o vento que quase não houve na 1ª, aumentou imenso e as dificuldades aumentaram – felizmente que a alimentação e os problemas de estômago n voltaram o que me animou. Claro que os kms nas pernas e a posição nas barras já tornava mais desconfortável o que fez da 2ª volta uma espécie de “lá terá que ser”!
Mas os últimos 20kms voltariam a ser em excelente ritmo, com os últimos 5 bem mais calmos, e, quando cheguei ao final, as 5h14 deixaram-me radiantes... não vou comentar muito a distância da prova, mas creio q rondou os 178....


T2 e RUN
A T2 correu bem, e colocado o cinto com os 6 gels pendurados era tempo de iniciar aquela que para mim era a mais desafiante etapa, quer por ter sido aquela onde eu tinha vacilado o ano passado, mas tb pq sabia que tinha puxado mais na bike já à espera de n estar tão forte na corrida. 3’08 foi o tempo que demorei na T2 a despachar tudo – mais uma vez qs 2 mins mais lento q os 1ºs.... – a rever tb!
A primeira parte da corrida (1km) é plana e a descer e há que ir nas calmas – assim fiz – mas quando aos 2kms me dá uma valente cãibra q m fez parar vi a vida a andar para trás – afinal só faltavam 40kms.... aí pensei que a táctica da bike afinal tinha sido um disparate,,,, mas umas massagens e um bocado de tranquilidade (obrigado Paulo Bento) e lá segui a ritmo calmo p ver se tudo passava – e passou.
Seguiram-se 20kms de ida e volta até ao local onde se entra no canal (com mais um special need gels dado pelo sedi) onde tentei basicamente controlar a pulsação, tomando 1 gel de 2 em 2 add stations (4kms) e onde essencialmente mantive sempre a calma sem m preocupar c splits ou com o que quer q fosse – a ideia era cumprir a distância e cumprir o plano de nutrição.
Assim foi, e ao cruzar-me com o Hugo aos cerca de 9-10 kms, ia tranquilo e consciente que a prova me estava a correr bem, e que a ele ia a correr talvez ainda melhor.
A 1ª meia maratona rondou a 1h40 alto e parecia q tudo se encaminhava para uma maratona a rondar as 3h20-21 ou algo parecido... entre a saída do canal aos 25kms (altura em que iniciei a coca-cola) e o último retorno aos 29,5kms, tudo rolava sobre esferas – o ritmo tinha qubrado uns segundos, mas nada de especial.
Voltei a cruzar-me como Hugo aos 29kms e aparentemente tudo corria bem a ambos e, esperava eu, mais km menos km ia estar a correr ao lado dele – só que o ironman é isto e aos 32 as cãibras voltaram e embora as paragens fosse de pouco mais de 20”, a verdade é que a confiança leva sempre um abanão e o ritmo tem de ser reavaliado.
Seguiram-se 6kms de sofrimento até aos 38kms com constantes cãibras sendo q aos 38kms tive mesmo de parar cerca de 1min e tal e tanter recomeçar 3x a “andar mais rápido”... muito muito assutador – este ano tinha energia q chegasse, mas n contava c tanta cãibra!!!
Mas com uma técnica de corrida acente nos calcanhares e com a ponta dos pés para cima,,, de modo a contrair a parte anterior da perna e consequentemente a descontrair a parte posterior, lá fui andando e os últimos kms correram bem – eram os últimos.
Para quem foi a roth, sabe q após aqueles 100m a subir em curva (parece escalada) no último km, é como se tudo acabasse ali... depois são são 3 curvas e a entrada no tapete azul da glória.
O meu grande objectivo ia ser cumprido – terminar abaixo das 10h – algo que me chegou a parecer impossível aos 38kms e que no inicio da maratona parecia tão fácil (bastava uma maratona a 3h30).
Foi com enorme satisfação, e dor nas pernas, que entrei no tapete azul para terminar mais um Ironman ao mesmo tempo testemunhava o Hugo Ribeiro a cruzar a meta umas dezenas de metros à frente naquela que foi uma prova espectacular deste. Para mim a prova foi mais uma lição de saber sofrer e saber acreditar que o que parece o fim do mundo, é apenas uma etapa num longo e difícil dia.
A alegria de cortar a meta e meter mais um IM no bolso, essa ninguém ma tira, e acreditem ou não.... minutos depois já pensava no próximo.... e em KONA.....

No final: 9h54’25 - swim 1’04’31 – T1 3’48 - Bike 5h14’59 – T2 3’08 – Run 3h27’54
188.º da Geral (total 2020 sem estafetas) – 48.º escalão M30-34 (total 351)
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O texto poderá ser consultado na íntegra aqui


Fotos da prova

Hélder Milheiras

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