APOIO/PATROCÍNIOS

APOIO/PATROCÍNIOS

quarta-feira, 30 de abril de 2025


No próximo dia 10 de Maio estarei na linha de partida daquela que é considerada a prova mais exigente do circuito mundial de triatlo extremo: o Himalayan Extreme Triathlon, no Nepal (https://himalxtri.com). Uma competição pontuada por desafios únicos — desde os intensos desníveis acumulados na bicicleta e na corrida, ao ar rarefeito a mais de 4000 metros de altitude, sem esquecer os rigorosos cortes de tempo.

No dia 10 de maio, às 4 da manhã (hora do Nepal), tudo se tornará definitivo. Estarei a caminho de algo maior do que uma meta: estarei a caminho de me encontrar, pedalada após pedalada, passo após passo.

Com o apoio de Ironconde Triathlon Academy, Ciclocross Julinho, Orbis Lab, Arena Fitness Club, e Scicon Sport.

 


terça-feira, 25 de julho de 2023

PROVA ADIADA PELA 2ª VEZ

Depois de em 2022, por causa dos constrangimentos provocados pela pandemia COVID19, ter adiado o Ironman Extreme dos Himalaias, Himalayan Xtri, e ver a inscrição adiada para este ano, tive de forçosamente voltar a cancelar mais este objectivo, devido ao facto de duas semanas antes, ter fracturado o escafóide da mão. Passados mais de 3 meses deste incidente, as coisas estão melhores, mas ainda com alguns cuidados na recuperação.

Por opção não quis ser operado e optei por fugir ao protocolo e não meti gesso, optei pelo método mais conservador com tala por um período de dois meses, após o qual iniciei fisioterapia, e lentamente a coisa vai recuperando. A mobilidade custa a voltar, oxalá não fique comprometida. Vamos com calma.




BIKE FIT PRÉ-COMPRA

 Por intermédio do meu treinador Paulo Conde, da Academia de Triatlo Ironconde, fui há dias ao Laboratório Orbis Lab (facebook) onde embarquei numa experiência verdadeiramente singular: fazer um estudo biomecânico dedicado a uma bike, e não podia deixar de partilhar convosco esta vivência. Ressalto que tal estudo é inédito em Portugal o que, por si só, conferiu à ocasião um caráter excepcional.

O Doutor Nuno Gama é o proprietário da Orbis Lab, tem duas licenciaturas, uma em desporto pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, e outra em engenharia em Londres, e ainda um mestrado e um doutoramento, ambos em neurociências. Profissionalmente deu aulas em Inglaterra, faz investigação nestas áreas, e «(…) é o diretor da comissão cientifica para o IBFI, o único instituto internacional dedicado à formação de bike fitters, e lidera uma equipa de excelência (a maioria com doutoramentos, como o Dr. Gama) composta pelo Dr Borut Fonda (o cientista biomecânico do Tadej Pogacar, Dr. Barney Wainwright (diretor do departamento de desenvolvimento da Boardman), Chris Balser (um dos melhores e mais antigos fitters do mundo), Dr. Geoffrey Millour (um dos cientistas de biomecânica do ciclismo mais proeminentes no mundo), Dra. Wendy Holliday, entre outros.». Tamanha experiência e conhecimento, no entanto, não suprimem a simplicidade que lhe é peculiar, sempre acessível nos seus esforços para compreender as nossas dúvidas e fornecer respostas esclarecedoras.

Em seguida, meticulosamente, tirou as medidas de minha velhinha Orbea, apenas para saber como é que eu tenho andado. Durante agradáveis diálogos, discutimos alguns aspectos e delineamos os próximos passos da nossa jornada.

Do que pude constatar, a avaliação do Doutor Nuno Gama assenta em três fundamentos: avaliação subjectiva (avaliação com base no sentir do ciclista), avaliação teórica, (pautada pelos seus vastos conhecimentos), mas também uma avaliação embasada na sua própria experiência, adquirida ao longo de anos de imersão no mundo da biomecânica.

É imprescindível mencionar o algoritmo singular que ele desenvolveu, segundo ele, único no mundo, que lhe permite aferir com rigor e com facilidade, todas as métricas necessárias para análise da biomecânica do par bike-ciclista. O trabalho dele centra-se numa primeira fase, fundamentalmente por patamares de conforto versus desconforto, que varia entre um máximo e um mínimo suportável pelo ciclista, para por fim, aferir as sensações do ciclista em diversos contextos, até atingir o ponto ideal de conforto versus performance. Constatei, que esta análise detinha-se em considerações pré-compra, embora acredite que o seu protocolo permanecerá substancialmente inalterado em outras circunstâncias.

Um aspecto adicional e notável da experiência foi o teste de selins (ele tem 100 selins de marcas e modelos diferentes), onde tive a oportunidade de experimentar modelos totalmente distintos de forma comparativa, num jogo de “bota fora” até chegar aos 5 melhores. A partir deste ponto, submeti-me a rigorosas avaliações individuais até finalmente eleger o selim perfeito. Cumpre mencionar que entre os cinco seleccionados, um mostrava-se particularmente confortável, contudo, notei que, em descidas com inclinação de -10o, esse selim exercia uma pressão indesejada, o que prontamente foi excluído da lista de opções.

O Doutor Nuno Gama realiza apenas uma única avaliação por dia, o que atesta a sua dedicação plena e cuidado irrestrito para com seus clientes.

As horas que compartilhei com ele foram verdadeiramente enriquecedoras, e considero o encontro com esse notável profissional uma experiência inestimável. Quando tiver a minha bicicleta retornarei ao laboratório para os ajustes finais, confiante de que o resultado alcançará a excelência desejada.











terça-feira, 26 de novembro de 2019

JANOSIK EXTREME TRIATHLON

Após o insucesso do Janosik 2018 por uma "unha negra", surgiu a vontade de voltar.

Inscrição feita!

Agora, muitos meses pela frente de duro trabalho, para no dia 5 de Setembro subir ao estrelado 🤣🤣🤣💪💪💪🤣🤣🤣

Para isso, eu e o Mister Paulo Conde da Ironconde Academy, que me vai uma vez mais acompanhar na prova, vamos participar no Louzantrail, uma das míticas e duras provas da serra da Lousã no dia 8 de Março.

Agradeço ao Louzantrail, na pessoa do Hugo Rodrigues, o convite para a nossa participação.

https://louzantrail.com



domingo, 1 de setembro de 2019

RELATO JANOSIK EXTREME TRIATHLON 2018


Juraj Jánošík, escultura, Janosik (Eslováquia)

Faz hoje um ano que participei no Janosik Extreme Triathlon, prova inserida no circuito dos ironman’s extreme. Na ocasião nada publiquei sobre a minha prestação e resultados da mesma, na verdade, teve um sabor amargo.
Nunca até aquele dia eu tinha desistido numa prova, fosse ela de remo, corrida, ou triatlo, mas pela primeira vez aconteceu.
Um ano depois vou tentar resumir a minha vivência em mais uma fantástica prova.
Janosik começa à meia-noite e portanto, a natação e a maioria do segmento de ciclismo são feitos de noite, o que de resto é muito desafiante e esta foi uma das razões que me levou a alinhar nesta prova.

Natação
Entro na água, dá-se o tiro de partida e lá vou eu, nos momentos iniciais alguma confusão, algum desconforto devido à visão reduzida, mas engreno no meu ritmo. Entretanto, isolo-me, e levanto a cabeça, olho para a frente e para trás e não vejo ninguém, não tinha qualquer noção da minha posição, não conseguia ver nada, nem tampouco ouvia o bracejar dos outros atletas. Isto deixou-me verdadeiramente confuso, porém, eu estava a manter o percurso certo, e aquela sensação só se podia dever ao breu da noite.
Saio da água com 01:19h o que para mim é muito tempo, mas ainda assim correspondeu a um 14º lugar. Assim que ponho os pés no chão e começo a correr para o parque, dou uma valente topada no chão com um dedo, agachei-me toquei no dedo e percebi logo que ali havia coisa. Desvalorizei no momento, equipei-me, pego na bike e saio do parque.



Eu e Mister Conde no check-in


Ciclismo
Comecei a bike com algum cansaço, mesmo assim fui mantendo sempre um ritmo razoável, o dedo estava quieto no sapato pelo que, embora a doer, consegui ter algum conforto para pedalar. Este segmento não é de todo fácil, desde logo porque se pedala de noite e existe redobrada atenção, mas também porque existem muitas pendentes de 12% de inclinação e uma de 17%.
Tomo um brufen 600 que não teve qualquer impacto nas dores. Recupero dois lugares e subo para 12º da geral, entro no parque de transição o Paulo Conde (Ironconde) que era o meu suporte na prova já lá estava à minha espera, e começo a preparar-me para correr. Retiro o sapato e pela primeira vez olho para o meu pé, tinha o dedo muito inchado, e claro, não o conseguia mexer. Tomo novo Brufen 600.
A pergunta que se impôs naquele momento foi: como vou neste estado correr 42 kms em trail? Calcei-me, e parti com o Mister Conde para 42 kms de trail.

2ª transição

Corrida
A partir daqui foi o massacre total. A coxear fui palmilhando alguns kms em puro trail altamente agressivo. As dores obrigavam-me a compensar com a outra perna. Ao km 15 tomo dois Tramadol. Para quem não está habituado a medicação, estava a ter a sua boa dose de químicos.
Passados uns 20 minutos comecei a sentir tonturas, entretanto normalizou e continuei.


Ao km 25 paro num posto de abastecimento e como coisas estranhas, e bebo uma cola que parecia ter sido envenenada, ainda assim, na falta de melhor, atestei o camelback. Na verdade teria sido preferível água porque ainda hoje tenho aquele sabor na cabeça. Eu e o Mister Conde lá continuamos e quando chego por volta do km 27, começo a sentir perder tudo, a sensação foi tão semelhante à do “homem da marreta” que me convenci de que estava totalmente vazio de tudo. Deixei de conseguir correr e só estava bem deitado de tão exausto que me sentia. 



Levantava-me e logo de seguida sentava-me, fui assim durante algum tempo. Entretanto paro, e vomito tudo o que tinha no estômago, ficámos uns minutos parados para ver se conseguia recuperar alguma coisa. Neste tempo perdido fomos passados por alguns atletas, neste momento percebi logo que a coisa não ia acabar muito bem.
Decido voltar a andar e começo a rejuvenescer, ter vomitado aliviou-me imenso, e estava quase a sentir-me como novo, o que foi francamente estranho. Afinal não tinha batido no muro! J
Nesta ocasião já o Mister Conde carregava a minha mochila o que foi um grande alívio para mim. É nestes momentos que se percebe o porquê da obrigatoriedade de apoio neste tipo de provas – Obrigado Mister. Mas também um obrigado à Alexandra que deu sempre todo o apoio.
Continuamos, e só subíamos e descíamos. Escadas, correntes, pendentes absurdas, uma doideira.
Estava desejoso de chegar ao km 32 e finalmente conseguimos. Aqui havia um novo abastecimento onde eu esperava poder hidratar e comer, todavia, qual não foi o meu espanto quando verifico que não conseguia ingerir nada, o organismo estava a defender-se, mas de quê? O que se terá passado? Porque vomitei? Tive uma paragem de digestão? Foi todo aquele cocktail de medicação que tomei que me deixou naquele estado? Provavelmente terá sido um pouco de tudo. Mas assustei-me porque não sabia se estava a sofrer um mal maior, uma falência do rim ou fígado, situações não tão raras quanto se pode pensar.
Ao km 32 já levava 16 horas de prova, faltavam 8 kms para o fim, e após conversa com o Mister decidimos abandonar a prova. Aqueles 8 kms iriam consumir-me entre 2 a 3 horas para os fazer o que seria demasiado para o meu estado de saúde periclitante. Não foi fácil desistir pela primeira vez numa prova, mas foi sensato. Antes do prazer das provas prezo a minha saúde e esta é a máxima a ter em conta sempre.
Informo a organização que vou desistir e que não consigo regressar a pé, conversam entre eles e dizem que não têm lugar no jipe para mim, indicam-me o caminho de regresso e lá fomos nós mais uns kms sempre a descer em trail. Assistência péssima e muito longe de outras provas. Chego à base peço apoio, entretanto vem uma ambulância, metem-me a soro, e vou recuperando.

A levar soro na ambulância

Regresso ao meu alojamento, quando tiro a sapatilha até me assustei ao ver o meu dedo grande do pé todo preto.
No dia seguinte fui ao hospital e confirmou-se uma fractura.

Fractura do dedo

Em jeito de conclusão posso dizer que adorei participar nesta prova que é de elevada exigência e agora posso dizer, que o Norseman, considerada a prova de triatlo mais dura, ao lado do Janosik não passa de um mero mito. Em todos os Ironman’s extreme ou não nós retemos coisas boas e coisas más, e efectivamente no Janosik sobressai a sua dureza.
Não ter acabado só me permitiu enriquecer as minhas vivências. Fica a dúvida sobre uma futura participação nesta prova, a ver vamos o que se avizinha em 2020.

Obrigado a todos pelo apoio.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

A 10 DIAS DE REALIZAR MAIS UM IRONMAN EXTREME - JANOSIK

Nó próximo dia 1 de Setembro irei realizar o último Ironman do ano, trata-se do Janosik - Slovak Xtreme Triathlon (Eslováquia), prova a contar para o XTRI World Tour. No universo das provas Extreme, esta diferencia-se das outras pela particularidade de começar à meia-noite, portanto, a natação e o ciclismo realizar-se-ão de noite.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

A MENOS DE UM MÊS PARA O PRIMEIRO IRONMAN DO ANO - SWEDEMAN

Depois de uma rotura muscular nos isquiotibiais a perturbar a rotina dos treinos, estou de novo a treinar com normalidade. A menos de um mês do Swedeman Extreme Triathlon, eis que os treinos atingem o pico de volume, já neste fim-de-semana com uma voltinha domingueira de 210 kms.


VOLTINHA RELAXANTE COM SABOR A ALCATRÃO

Hoje, após meros 700 metros, sofri uma ligeira queda, que felizmente não causou danos maiores para além de escoriações e material arranhado.

Ossos do ofício que nos faz sempre pensar na vida de qualquer ciclista profissional.


quinta-feira, 22 de março de 2018

ESTÁGIO CASTANHEIRA DE PÊRA


No passado fim-de-semana estive na Castanheira de Pêra, num estágio, em fantástico convívio. Isso só é possível quando o grupo em causa é brilhante nas relações sociais. A partilha de conhecimento foi um ponto alto, sem esquecer os diversos momentos de boa disposição.

Obrigado a todos, mas sobretudo à Rita pelo apoio e fotografias.












sábado, 24 de fevereiro de 2018

SWEDEMAN EM NÚMEROS

3.8 kms 🏊
205 kms 🚴
42 kms 🏃

39 nacionalidades
238 homens
15 mulheres

Lista de inscritos: http://bit.ly/2DqanGw 



domingo, 11 de fevereiro de 2018

REPORTAGEM NO JORNAL DIÁRIO AS BEIRAS

Pequena reportagem no jornal Diário as Beiras.

 Apenas uma pequena corrigenda: eu não sou atleta do Ginásio Clube Figueirense, mas sim da Ironconde Triathlon Academy


domingo, 4 de fevereiro de 2018

2018 EM PROSPECTIVA

Se tudo decorrer como previsto, e salvo pequenas alterações, o calendário para este ano será o seguinte:

06 Maio: Douro Granfondo
11 Agosto: Swedeman (distância Ironman na Suécia)
01 Setembro: Janosik (distância Ironman na Eslováquia)
Setembro (data a definir) : N2 - Chaves-Faro (738 kms directos)

Quem alinha a fazer a N2 ou parte dela? Oportunamente indicarei percurso, locais e tempos de passagem.


JÁNOŠÍK EXTREME TRIATHLON

Outra das minhas tarefas para este ano será a participação no Ironman Janosik, prova que integra o XTRI World Tour. Trata-se de uma prova, realizada na Eslováquia, que se diferencia das outras por ser quase toda ela feita de noite. Com partida às 00:00 horas, tem uma natação realizada de noite, bem assim como o percurso de ciclismo, já a corrida é toda ela feita em montanha, com 3000 metros de acumulado, terminando aos 1524 metros em Chleb.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

SWEDEMAN EXTREME TRIATHLON

2018 será ano de Ironman na Suécia - Swedeman, a prova do género mais a norte do planeta, e que faz parte do Tour Extreme Triathlon, inicialmente composto pelo Norseman (Noruega), Swissman (Suíça), e Celtman (Escócia), e agora estendido ao Swedeman, Janosik (Eslováquia), Alaskaman (Alaska, EUA), Canadaman (Canadá), estando ainda previsto para 2018, a integração de mais três provas, em Itália, Espanha e Patagónia.

Será mais um desafio de extrema dureza, onde não faltará água fria, um ciclismo difícil de 205 kms, e uma montanha para trepar com 2600 metros de acumulado.

Com toda a logística montada, resta-me dar início aos treinos, uma vez mais com o apoio do Paulo Conde da Ironconde Triathlon Academy.

Linha de meta no topo de Areskutan

terça-feira, 13 de setembro de 2016

RELATO NORSEMAN 2016

É um tanto difícil falar-se reiteradamente de uma prova em que já se participou, corremos o risco de nos repetirmos, e de sermos enfadonhos, não obstante, importa realçar que nunca nenhuma prova ironman será igual a uma edição anterior, e o Norseman é seguramente daquelas provas onde efectivamente podem existir enormes dissemelhanças, sobretudo porque, vale a pena dizer-se, a organização considerou esta edição como estando entre as 3 mais difíceis até hoje realizadas. Por outro lado, o factor humano é indubitavelmente o elemento que mais pode fazer disparar essa diferença, por essa razão, vale sempre a pena escrever alguma coisa,
Sobre as características do Norseman já muito se disse, quem quiser aprofundar do que se trata, pode aceder à minha postagem “Porque Norseman é Extreme”, pelo que irei apenas descrever, muito sucintamente, a minha participação na edição de 2016.

Sem nunca ter tido treinador para a prática do triatlo, entendi que não perderia nada se passasse pela experiência de cumprir um plano, e essa ideia tornou-se uma convicção quando em 2015 decidi que a próxima prova seria com o apoio técnico de alguém. Após a selecção para o Norseman, contactei o Paulo Conde, o Mister, epíteto pelo que é vulgarmente conhecido, que de imediato se disponibilizou a apoiar-me nessa aventura. Paulo Conde, é um profissional com enormes capacidades técnicas e científicas, capaz de perceber, diferenciadamente, cada atleta que tem a seu cargo, possuindo ainda uma elevada capacidade motivacional, algo muito importante para quem trabalha e objectiva praticar uma modalidade tão exigente como o triatlo de longa distância.


A PREPARAÇÃO
Fizemos uma fase preparatória até Dezembro 2015, e daí em diante começamos a trabalhar com afinco. Cumprir um plano diário foi uma novidade, mas simultaneamente um enorme gozo. Sentir o corpo a adaptar-se, e os progressos a notarem-se, foi a minha motivação.
Tudo corria a bom ritmo, e a conseguir absorver cada treino, quando em Junho bate à porta a síndrome da banda iliotibial. Muito eu tinha ouvido falar dessa lesão, e o quanto ela importunava. Chegou a minha vez de contactar directamente com ela, obrigando-me a parar por 3 semanas. Depois de observado por dois médicos (Doutor Páscoa Pinheiro e Pereira de Almeida), várias sessões de fisioterapia, alongamentos, e electroacupunctura (Doutor Eduardo Francisco), tudo se revelou ineficaz para combater o problema, restava-me prosseguir com os treinos e suportar o desconforto da dor, quer na bicicleta, quer na corrida, e assim foi até ao dia da prova.

Electroacupunctura

ANTES DA PROVA
Os dois dias que antecederam a prova permitiram-me contactar com o João Canhão e a sua namorada, curiosamente alojados na mesma localidade, em Ulvik, a cerca de 1000 metros de mim, deu para trocar impressões sobre o Norseman, provar a água, e no fundo criar um laço de amizade. O João é uma pessoa muita bem disposta, agradável na conversa, e disponível para desafios, isso ficou desde logo presente.

Eu e o João Canhão

Foi também tempo de me encontrar com a minha equipa de apoio, a quem desde já dirijo um especial agradecimento, mormente ao Hugo Miguel, Milan Chhaganlal, Nuno Lopes, e Carlos Correia, mas em particular ao Bergen Vest Sportsklubb, o clube que me acolheu, e me apoiou nesta aventura, estou certo que sem ele, tudo seria mais difícil. Uma equipa fantástica sempre bem disposta, todos arreigados à bandeira portuguesa. Com eles, estive em família. Muito obrigado.

Nuno Lopes, Milan Chhaganlal, Hugo Miguel, Carlos Correia

DIA DA PROVA
Depois de traçadas algumas directrizes com o meu apoio da prova, o Nuno Lopes, chegou a hora de perder o nervosismo, e enfrentar a besta de frente. Check-in feito, entrei no barco, tendo este zarpado com uns 10 minutos de atraso. Durante a viagem fui conversando com o João. O ambiente no barco é sereno. A água devia estar fria, está sempre, o vento era muito forte, iríamos ter grande dificuldades no nado. Abre a rampa do barco, e gera-se algum silêncio, todos vislumbram a beleza da escuridão.

Salto para a água, como sempre coloquei-me no grupo de trás. Quando se inicia a natação percebo que o vento estava a gerar uma ondulação considerável. Entrei num grupo muito apertado, onde mal conseguia mover os braços, pensei logo que teria de sair dali se quisesses manter um ritmo mais fluído, e assim foi, afastei-me um pouco e a coisa resolveu-se… por momentos. O vento prometia não dar tréguas, tinha a sensação que estava no fim do grupo, olho para trás e não consigo confirmar com exactidão, porém, percebo que muita gente estava parada, outros a nadar a bruços, isso deu-me algum alento. Apesar das condições não serem boas, fiz muitos treinos no rio Mondego em que as condições, com excepção do frio, até eram piores.
Chego à transição e julgava estar dentro do meu tempo médio, quando olho para o relógio assustei-me, 01:19 horas, não podia acreditar no que via. Vim a saber mais tarde que os atletas de elite saíram da água com 1 hora, estava pois explicado porquê tanto tempo. Ainda assim, fiquei em 63º, o que, entre 250, considero ser uma boa marca.
Saí da água com frio, com pouca reacção nas mãos, e foi neste momento que o apoio do Nuno se revelou crucial. Ele ajudou-me a vestir, e foram precisos 08:15 min para o fazer, sem ele seria muito difícil consegui-lo.

Saída da água
1ª transição

Começo a pedalar naquela que é a primeira grande subida da prova, cerca de 35 km, em plena ascenção, e com inclinação a chegar aos 8%. No topo, aos 1300 metros, já não se via nada com o nevoeiro que se tinha instalado, por esta altura começa a chover copiosamente, e a temperatura tinha baixado para os 5ºC. Molhado e com frio, a prova iria ser uma verdadeira via sacra, pelo que uns kms adiante pedi umas luvas mais quentes, já que tinha saído do parque com luvas de dedos curtos. Quando tento enfiar as luvas, não consegui, as mãos molhadas e sem sentir os dedos, não me permitiram calçá-las convenientemente. O Nuno bem que ajudou, mas a tarefa não estava mesmo fácil. Numa das mãos só consegui enfiar 4 dedos, e os outros também não estavam bem, de todo o modo, dado que não podia perder mais tempo arranquei. Tinha alguma dificuldade em meter as mudanças, por causa das luvas mal calçadas, mas também devido ao frio. Uns kms à frente consegui obter algum conforto, as mãos, os pés e naturalmente o resto do corpo, aqueceram um pouco.

Nuno Lopes ajuda a calçar as luvas

A bom ritmo

A hidratação, a par com a alimentação estava a funcionar bem, consegui ingerir, mastigar e engolir sem problemas, e no tempo certo, o que era muito bom.

Até às duas últimas subidas, as mais difíceis, a minha lesão não se manifestou, mas quando entro nessas fortes pendentes, o meu joelho que já se vinha ressentindo, começa a fragilizar. Começo igualmente a sentir sintomas de inflamação no outro joelho. A progressão nas subidas foi lenta, mas de forma preventiva.

Penúltima subida

Entro no parque de transição, e consigo sair em 04:45 min, para um pachorrento como eu, é um bom tempo.

2ª transição

Comecei a correr fluído e a bom ritmo, sentia-me bem, entretanto o Miguel Pereira, o outro português em prova, alcança-me, e daí em diante seguimos sempre juntos até ao final da prova em boa cavaqueira. Ele estava com problemas na barriga, o que o fez parar algumas vezes para aliviar o intestino. Continuámos a caminho do monte Gaustatoppen. Não sei precisar, mas talvez por volta do km 10/12 alcançamos o João que estava com cãibras e a caminhar. Fomos passando imensa gente, entretanto, chegámos ao km 25, e a árdua subida de 17 kms estava à porta.

Início da corrida
Com Miguel Pereira a caminho do km 25

Eu sentia-me bem, fiz média de 145 bpm até este ponto da corrida. Estávamos muito dentro do tempo de corte, o que nos permitiu andar. E assim foi até ao final da prova. Atingimos os 32,5 kms muito dentro do tempo de corte, e com 03:41 horas de corrida. Entretanto, até ao km 37,5, juntou-se o Milan que me acompanhou por 5 kms, seguíamos portanto em grupo, eu, o Milan, o Miguel e o seu apoio, o Rui Dolores.

Monte Gaustatoppen

É já ali!

Já no km 37,5 segui com o Nuno Lopes até o final, com quem viria a cortar a meta ao fim de 14:28 horas de prova, e classificando-me em 84, curiosamente, o número do meu dorsal. Os últimos 5 kms são sempre muito delicados, porque aquilo é uma montanha de pedras soltas, mas igualmente porque a temperatura desce imenso, e a visibilidade reduz-se devido ao nevoeiro, não podemos esquecer o facto de estarmos a quase 2000 metros de altitude.

Eu, Miguel Pereira, Nuno Lopes, e Rui Dolores, a caminho do topo

Nuno Lopes e eu, na ascensão ao Gaustatoppen

A caminho do monte Gaustatoppen

Após cortar a meta

Este ano achei a subida mais fácil porque não estava tanto frio, nem tanto vento, ainda assim, no topo, não é nada agradável ficar no exterior. Entramos na casa de abrigo, e comemos uma valente sopa com carne que era de distribuição gratuita. Nesta prova, a fazer jus a uma afirmação da organização, senti frio, odiei as montanhas, por vezes senti-me sozinho, mas tive, uma vez mais, uma experiência invulgarmente emocionante, é isto que fica e recordamos.

Obrigado a todos.


FOTOS DA PROVA
https://goo.gl/photos/K5HmgLo2qQQEfeq8A


VÍDEOS DA PROVA


 Chegada do Norseman 2016 (parte 1)


 Chegada do Norseman 2016 (parte 2)


RELATO DA ORGANIZAÇÃO E RESULTADOS OFICIAIS
http://nxtri.com/wet-wet-cold